Justiça obriga Hapvida a custear ressonância magnética urgente em paciente internado em UTI
Decisão determinou que a Hapvida autorizasse e custeasse, em 24 horas, exame de ressonância magnética do crânio indicado para paciente em estado gravíssimo.

Quando um plano de saúde demora ou deixa de viabilizar um exame urgente, o problema não é apenas burocrático.
Em determinadas situações, a falta do exame pode impedir o diagnóstico correto, atrasar a definição do tratamento e colocar a vida do paciente em risco.
Eu sou Stivel Carvalho, advogado especialista em direito de saúde, e neste artigo vou explicar uma decisão judicial proferida no processo nº 3036983-91.2026.8.06.0001, pela 35ª Vara Cível da Comarca de Fortaleza, envolvendo a Hapvida Assistência Médica LTDA., que foi obrigada a autorizar e custear uma ressonância magnética do crânio em paciente internado em UTI.
A ideia aqui é mostrar, de forma simples, o que foi decidido, por que essa decisão importa e quais cuidados pacientes e familiares devem observar quando o plano de saúde demora, nega ou não viabiliza um exame urgente.
O que aconteceu no caso analisado pela Justiça
O caso envolvia um paciente beneficiário de plano de saúde administrado pela Hapvida, com contrato vigente e mensalidades em dia.
De acordo com a decisão, a equipe médica assistente prescreveu a realização urgente de exame de ressonância magnética do crânio para investigação diagnóstica de uma formação expansiva cerebral identificada em tomografia computadorizada.
A própria decisão registra que havia laudo crítico emitido pelo serviço diagnóstico da operadora. Também foi mencionado que os exames tomográficos e laboratoriais indicavam um quadro clínico de extrema gravidade.
O paciente estava internado em UTI, entubado e em coma induzido. A ausência do exame impedia a definição mais precisa do protocolo terapêutico adequado.
Qual foi o problema com o plano de saúde
O ponto central discutido na decisão foi a não realização do exame necessário.
Segundo a parte autora, a operadora não teria providenciado a ressonância magnética porque os equipamentos disponíveis em sua rede seriam incompatíveis com as condições físicas do paciente.
Na prática, isso criou um impasse grave: havia indicação médica urgente, havia um quadro clínico crítico e havia necessidade de exame para elucidação diagnóstica, mas o procedimento não estava sendo realizado.
O que eu quero que você observe é o seguinte: quando o paciente está em situação grave, a demora do plano de saúde pode ter consequências muito sérias.
Não se trata apenas de esperar uma autorização administrativa. Em determinados casos, cada hora sem diagnóstico pode comprometer a própria utilidade do tratamento.
O que a Justiça decidiu contra a Hapvida
A Justiça concedeu a tutela de urgência e determinou que a Hapvida autorizasse e custeasse, às suas expensas, no prazo de 24 horas, a realização da ressonância magnética do crânio.
A decisão estabeleceu que o exame deveria ser feito, preferencialmente, mediante deslocamento de equipamento de ressonância magnética compatível até o local de internação do paciente.
Caso a Hapvida comprovasse previamente, por prova técnica e documental idônea, a impossibilidade de deslocar o equipamento ao hospital, a equipe médica assistente deveria avaliar se o transporte do paciente seria clinicamente seguro.
Se o transporte fosse considerado seguro, a operadora deveria providenciar a realização do exame em unidade própria, conveniada ou externa com aparelho adequado, utilizando remoção em UTI móvel e arcando integralmente com todos os custos do procedimento e do transporte.
A decisão também fixou multa diária de R$ 2.000,00 em caso de descumprimento, limitada ao teto de R$ 100.000,00.
Por que essa decisão é importante para outros pacientes
Essa decisão é importante porque mostra que o plano de saúde não pode simplesmente deixar o paciente sem solução quando existe indicação médica urgente e risco concreto à saúde.
Se o equipamento da rede não atende às condições do paciente, isso não significa, automaticamente, que o beneficiário deve ficar sem o exame.
A decisão analisada determinou alternativas práticas: deslocamento de equipamento compatível, avaliação médica da possibilidade de transporte e, se seguro, realização do exame em unidade própria, conveniada ou externa, com remoção em UTI móvel.
Isso não significa que todo caso terá o mesmo resultado.
Cada situação depende dos documentos, da indicação médica, da urgência demonstrada, da conduta do plano e das provas apresentadas.
Mas a decisão mostra que a omissão ou demora da operadora pode ser questionada judicialmente quando compromete o diagnóstico e o tratamento do paciente.
A prescrição médica fez diferença no caso?
Sim. A indicação da equipe médica foi um ponto importante na decisão.
A Justiça levou em consideração que a equipe assistente havia prescrito a ressonância magnética do crânio para elucidação diagnóstica de formação expansiva cerebral identificada em tomografia.
Esse detalhe faz diferença porque, em casos contra planos de saúde, o relatório médico costuma ser um dos documentos mais relevantes. Ele ajuda a demonstrar por que o exame, tratamento, internação, cirurgia ou medicamento é necessário.
No caso analisado, a decisão também destacou a gravidade do quadro clínico, a existência de achados críticos e o risco de deterioração neurológica irreversível diante da ausência de diagnóstico preciso.
Plano de saúde pode demorar para autorizar exame urgente?
A demora precisa ser analisada conforme o caso concreto.
Existem situações em que a espera pode não gerar risco imediato. Mas há casos em que a demora na autorização ou na realização do exame pode comprometer diretamente o diagnóstico, o tratamento e a segurança do paciente.
Na decisão analisada, a Justiça entendeu que não era razoável deixar o paciente aguardar até o final do processo, porque ele estava internado em UTI, em estado gravíssimo, e precisava do exame para definição do protocolo terapêutico adequado.
Em outras palavras: quando a demora pode tornar inútil a prestação jurisdicional futura, a urgência ganha peso ainda maior.
Quais documentos podem ser importantes em casos parecidos
Em situações envolvendo negativa, demora ou omissão do plano de saúde, os documentos fazem muita diferença. Eles ajudam a demonstrar o vínculo com o plano, a necessidade do procedimento e a urgência do caso.
Entre os documentos que podem ser importantes, estão:
- relatório médico detalhado;
- prescrição do exame, tratamento, cirurgia ou medicamento;
- laudos de exames anteriores;
- negativa formal do plano de saúde, se houver;
- protocolos de atendimento;
- carteirinha do plano;
- comprovantes de pagamento;
- registros de conversas com a operadora;
- documentos que demonstrem a urgência clínica.
Cada caso precisa ser analisado individualmente. A existência desses documentos não garante, por si só, o resultado da ação, mas pode fortalecer a demonstração da necessidade médica e da conduta questionável do plano.
O que fazer quando o plano de saúde nega ou demora para autorizar exame urgente
O primeiro passo é reunir todos os documentos médicos disponíveis.
Também é importante solicitar ao plano de saúde a negativa formal ou, pelo menos, guardar protocolos, mensagens, e-mails, prints de aplicativo e qualquer registro que demonstre a tentativa de autorização.
Quando o caso envolve urgência, a análise precisa ser rápida. A família não deve tratar a demora como uma simples burocracia se houver risco à saúde do paciente.
Nessas situações, a orientação jurídica especializada pode avaliar se há elementos para questionar a conduta do plano, quais documentos ainda precisam ser reunidos e qual medida pode ser mais adequada diante da gravidade do caso.
Precisa de orientação jurídica contra plano de saúde?
Se o plano de saúde negou, atrasou ou não viabilizou um exame, tratamento, internação, cirurgia, home care, medicamento de alto custo ou atendimento urgente, é importante analisar o caso com cuidado.
Problemas com plano de saúde exigem atenção técnica, especialmente quando há prescrição médica, risco ao paciente e necessidade de atuação rápida.
Cada situação precisa ser examinada a partir dos documentos, da conduta da operadora e da urgência demonstrada.
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